
Eu e a Mônica temos estudado fotografia juntos. Porém, com apenas uma máquina, e com a fome com que a uso (fiz 12.000 cliks em 12 meses), estou atrapalhando a prática dela. Por isso resolvemos comprar duas máquinas, idênticas, profissionais, com o mesmo conjunto de lentes. Estão a caminho e devem nos encontrar em Santa Maria, já em viagem.
Porém, começamos a perceber que essa decisão nos trará diversos problemas. As máquinas produzirão fotos com números similares e em duplicidade. Nossos computadores são de uso comum. Temos o hábito de alternar fotos de um e outro no mesmo cartão de memória. Enfim, manter a individualidade do trabalho de um e outro será um problema bastante chato de ser equacionado. Senão chato, pelo menos muito trabalhoso.
Pensando em resolver isso, ou pelo menos simplificar, me lembrei da história do casal André Friedmann e Gerda Taro que criaram em 32 o mítico repórter de guerra Robert Capa. Até hoje não se tem certeza da autoria das fotos do personagem Capa, nos três anos em que André e Gerda viveram juntos. Após o falecimento de Gerda em 37, na cobertura da guerra civil espanhola, André continuou usando o pseudônimo Robert Capa, até também falecer na cobertura da guerra da Indochina em 54. *
Não temos nenhuma pretensão de tornarmo-nos fotojornalistas de guerra, nem mesmo tão famosos. Mas, a idéia de um personagem único que reúna o trabalho de dois fotógrafos é fantástica. Um super-fotógrafo que pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Ter diferentes ângulos e lentes sobre o mesmo motivo. Só de pensar já fico cheio de idéias.
Portanto, é bastante provável que a partir do próximo ano, não mais existam um álbum de fotos do Elton e outro da Mônica. Estamos em processo de geração deste filho que passará a assinar nossas fotos. E estamos aceitando sugestões de nomes.
*fonte:
Robert Capa. Foto de Gerda Taro (1937)