15 Agosto 2008

O Domínio Oriental

Com as olimpíadas voltou à baila o papo de que os orientais dominarão o mundo. Eu me arrepio quando ouço isso. Não, não tenho nada contra chineses, japoneses, coreanos e etc... O que me arrepia é essa idéia medieval de domínio. Subjugar econômica, social ou culturalmente outras etnias empobrece a espécie. Padroniza a cultura. Destrói a diversidade. Anula a genialidade.
Vi trechos da apresentação da abertura dos jogos, que são repetidos exaustivamente na televisão. Sinceramente eu preferia ver a genialidade de um único percussionista àquele oceano de autômatos acéfalos batucando religiosamente ritmos que lhes foram programados por um único cérebro. Transformar humanos em instrumentos padronizados e programáveis é a norma básica da criação de exércitos. Exércitos podem fazer muitas coisas boas, mas seu objetivo principal é treinar homens para matar, pelos mais “nobres” motivos. Porém, matar nobremente é tão raro quanto salvar indignamente.
A padronização e controle absoluto de uma população geram similaridades graves com conceitos militares. Matar com o tiro na nuca, em julgamentos sumários quem cometeu um crime, para manter a violência sob controle, é muito similar às baixas aceitáveis para se conquistar uma posição de batalha. Desconsideram-se as perdas individuais pelo “bem” maior da sociedade. Só que “bem” não é um conceito absoluto. Para o general argentino que admitiu a morte de 712 soldados, o “bem” era o orgulho nacional de recuperar uma ilhota gelada. Para mim foi uma estupidez estratégica que destruiu 712 famílias argentinas e 255 britânicas.
Não vou aplaudir legiões batendo tambores, voando ou fazendo coreografias. Nenhuma legião me seduz. Não acredito em um exército de Manabus Mabes produzindo telas freneticamente, nem numa linha de montagem de filmes de Akira Kurosawa. Legiões combinam com armas. Porque a massificação elimina o que de mais importante temos: a inteligência e genialidade humanas.

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