Amar é...
pular dum barco
sem saber nadar.
Respirar o mar.
30 Setembro 2007
29 Setembro 2007
Fim da Novela
Eu vejo algumas novelas. Não gosto, mas vejo. Gosto tanto da atuação de alguns atores que acabo assistindo essas porcarias. Mas, confesso que esta cada vez mais difícil.
Novelas tornaram-se prostitutas frígidas da audiência. A vontade do espectador engessou o processo criativo. A previsibilidade é broxante. É possível nos primeiros capítulos saber o destino de bananas e vilões, cada dia mais estereotipados. Se o povo soubesse escrever não precisaríamos de autores.
Aliás, ser autor de novela nos dias de hoje deve ser tão emocionante quanto ser piloto de ferrorama.
Novelas tornaram-se prostitutas frígidas da audiência. A vontade do espectador engessou o processo criativo. A previsibilidade é broxante. É possível nos primeiros capítulos saber o destino de bananas e vilões, cada dia mais estereotipados. Se o povo soubesse escrever não precisaríamos de autores.
Aliás, ser autor de novela nos dias de hoje deve ser tão emocionante quanto ser piloto de ferrorama.
28 Setembro 2007
Quintana
"Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também..."
"O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso."
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também..."
"O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso."
27 Setembro 2007
Dia do Beijo
Hoje o beijo mais estranho da minha vida, completa 11 anos.
Nada de conto de fadas, ou história linda e romântica, esse beijo inesquecível deu-se em um contexto todo errado. Aconteceu na pista de dança da Lola, boate de Posadas, província de Missiones, norte da Argentina. Lembro de estar dançando com ela, o que por si só já estava errado, quando com a ajuda do DJ nos abraçamos para a música lenta e aconteceu.
Não lembramos nada depois disso, já conversamos muito, mas o fato é que tivemos uma ausência completa, e nada é possível lembrar sobre o beijo especificamente. Fomos acordados pelo esbarrão de um argentino mais empolgado que pulava como louco na pista. A música era outra e nós parecíamos dois alienados dançando a musica lenta que já tinha acabado, não sabemos há quanto tempo. Parece exagero, mas a verdade é que não temos a menor idéia de quantas músicas ficamos daquele jeito, só o que sabemos é que o beijo durou, no mínimo, toda a música lenta. Se houve outra, ou outras, até quase sermos derrubados e trazidos novamente à consciência, jamais saberemos.
Tudo estava errado, porque eu era noivo e ela tinha um relacionamento sério de 6 anos. Cedemos a um sentimento nascido também errado, em um ambiente de trabalho familiar. Eu conhecido do namorado dela, ela amiga da minha noiva. Escondemos de nossas famílias. Escondemos de todos. Fugíamos para a Argentina para trair nossos pares e nos esconder. Mantínhamos a aparência onde morávamos, chegamos a nos massacrar em ir juntos a locais públicos com nossos companheiros oficiais. Tudo tão errado, tão fraco. Tão feiamente humano.
Deu um trabalho tremendo transformar aquilo, num relacionamento digno e bonito. Machucamos-nos, machucamos outras pessoas, erramos até acertar e continuamos aprendendo.
Hoje quem não nos conhece bem, diz que temos um relacionamento perfeito. Quem presta um pouco mais de atenção, vê que na verdade só nunca tivemos medo de errar. Continuamos trabalhando para transformar isso num relacionamento perfeito, e acreditamos que não teremos êxito. Mas, trabalhar juntos nos faz felizes.
A perfeição existe, basta você não acreditar nela.
Nada de conto de fadas, ou história linda e romântica, esse beijo inesquecível deu-se em um contexto todo errado. Aconteceu na pista de dança da Lola, boate de Posadas, província de Missiones, norte da Argentina. Lembro de estar dançando com ela, o que por si só já estava errado, quando com a ajuda do DJ nos abraçamos para a música lenta e aconteceu.
Não lembramos nada depois disso, já conversamos muito, mas o fato é que tivemos uma ausência completa, e nada é possível lembrar sobre o beijo especificamente. Fomos acordados pelo esbarrão de um argentino mais empolgado que pulava como louco na pista. A música era outra e nós parecíamos dois alienados dançando a musica lenta que já tinha acabado, não sabemos há quanto tempo. Parece exagero, mas a verdade é que não temos a menor idéia de quantas músicas ficamos daquele jeito, só o que sabemos é que o beijo durou, no mínimo, toda a música lenta. Se houve outra, ou outras, até quase sermos derrubados e trazidos novamente à consciência, jamais saberemos.
Tudo estava errado, porque eu era noivo e ela tinha um relacionamento sério de 6 anos. Cedemos a um sentimento nascido também errado, em um ambiente de trabalho familiar. Eu conhecido do namorado dela, ela amiga da minha noiva. Escondemos de nossas famílias. Escondemos de todos. Fugíamos para a Argentina para trair nossos pares e nos esconder. Mantínhamos a aparência onde morávamos, chegamos a nos massacrar em ir juntos a locais públicos com nossos companheiros oficiais. Tudo tão errado, tão fraco. Tão feiamente humano.
Deu um trabalho tremendo transformar aquilo, num relacionamento digno e bonito. Machucamos-nos, machucamos outras pessoas, erramos até acertar e continuamos aprendendo.
Hoje quem não nos conhece bem, diz que temos um relacionamento perfeito. Quem presta um pouco mais de atenção, vê que na verdade só nunca tivemos medo de errar. Continuamos trabalhando para transformar isso num relacionamento perfeito, e acreditamos que não teremos êxito. Mas, trabalhar juntos nos faz felizes.
A perfeição existe, basta você não acreditar nela.
26 Setembro 2007
25 Setembro 2007
Liga da estupidez católica
Estes dias li no blog do Ivam, do Alberto e do Laerte, que uma tal liga de católicos ameaçava processar “os atores” pela peça O Santo Parto. O Ivam transcreveu toda a notinha que um leigo “metido a advogado” redigiu. Porque foi um ignorante que escreveu? Simples! Porque não se processam os funcionários do super-mercado por um dano causado ao cliente. Os atores são instrumentos da obra, não tem responsabilidade civil por qualquer dano que o texto venha a causar. Também não foi um técnico que redigiu, porque a própria nota é motivo de processo. E não me venham com liberdade de imprensa, pois mesmo ela está sujeita as leis penais, e o texto é francamente preconceituoso quanto à orientação sexual, e isso é crime. Aconselhei o Ivam, que tomasse a iniciativa e os processasse. Mas, ainda não sei os desdobramentos do caso.
Juntando isso a um outro comentário, que outros dias antes, fiz no blog do Alberto, sobre a visita do papa, fiquei pensando: essa gente não tem coisa mais importante para fazer?
O que você pensaria se EU dissesse?
- Não use camisinha;
- Idolatre a pobreza;
- Siga normas de 2.000 anos atrás;
- Oriente seu relacionamento amoroso por preceitos concebidos por pessoas proibidas de ter um;
- Combata a miséria e beba em cálices de ouro;
- Acredite em um líder concebido de forma não natural, mas seja contra qualquer forma de concepção artificial.
- Saiba que a espécie humana está acabando pelo aumento da população e pregue o uso do mais ineficaz dos métodos contraceptivos;
- Ache lindo a doação de órgãos de um corpo “vivo” que está apenas com o cérebro sem atividade, e não esqueça de ser contra a utilização de embriões que nem tecido nervoso têm para salvar “a vida” de seus irmãos;
- Chame todos de irmãos, mas negue aos homossexuais os direitos que você tem;
- Ame o próximo como a si mesmo, mas excomungue os que são e pensam de forma diferente;
- Creia em um só Deus, mas não esqueça que Ele é três, e borde seus altares de “semideuses”;
Acho que no máximo você respeitaria minha ignorância hipócrita, não é?
Pois é! Respeito é o máximo que a Santa Madre Igreja tem de mim.
Mas, católicos que não olham para o próprio rabo e se metem a patrulhadores da arte, não merecem outra coisa que não sejam pauladas (verbais e jurídicas, claro).
Juntando isso a um outro comentário, que outros dias antes, fiz no blog do Alberto, sobre a visita do papa, fiquei pensando: essa gente não tem coisa mais importante para fazer?
O que você pensaria se EU dissesse?
- Não use camisinha;
- Idolatre a pobreza;
- Siga normas de 2.000 anos atrás;
- Oriente seu relacionamento amoroso por preceitos concebidos por pessoas proibidas de ter um;
- Combata a miséria e beba em cálices de ouro;
- Acredite em um líder concebido de forma não natural, mas seja contra qualquer forma de concepção artificial.
- Saiba que a espécie humana está acabando pelo aumento da população e pregue o uso do mais ineficaz dos métodos contraceptivos;
- Ache lindo a doação de órgãos de um corpo “vivo” que está apenas com o cérebro sem atividade, e não esqueça de ser contra a utilização de embriões que nem tecido nervoso têm para salvar “a vida” de seus irmãos;
- Chame todos de irmãos, mas negue aos homossexuais os direitos que você tem;
- Ame o próximo como a si mesmo, mas excomungue os que são e pensam de forma diferente;
- Creia em um só Deus, mas não esqueça que Ele é três, e borde seus altares de “semideuses”;
Acho que no máximo você respeitaria minha ignorância hipócrita, não é?
Pois é! Respeito é o máximo que a Santa Madre Igreja tem de mim.
Mas, católicos que não olham para o próprio rabo e se metem a patrulhadores da arte, não merecem outra coisa que não sejam pauladas (verbais e jurídicas, claro).
23 Setembro 2007
Le Téâtre du Soleil
Pela primeira vez na América Latina, o grupo francês Téâtre du Soleil (não confunda com o Cirque) fará a estréia brasileira da peça Les Éphémères, dentro do Porto Alegre em Cena, no próximo dia 27, em um galpão de 3.740 metros quadrados, especialmente adaptado para receber a montagem. A próxima parada é São Paulo e depois Taiwan.Les Éphémères (os efêmeros) pode ser medido também por seus números: a montagem tem 6 horas e meia de duração, divididas em duas partes independentes, com uma hora de intervalo. Os 2.061 ingressos esgotaram em dois dias de vendas. A cenografia e os figurinos exigem 12 contêineres para serem transportados, e a equipe – entre técnicos e artistas – reúne quase 100 pessoas.
Mas, se você quiser mesmo entender Les Éphémères (que terá legendas em português), preste muita atenção quando chegar ao galpão do bairro Humaitá. Quem vai abrir a porta e receber o público, logo depois das tradicionais 3 pancadas de Molière, é uma senhora francesa de 68 anos, penteado não muito alinhado, jeito simpático. Ela mesma: a diretora Ariane Mnouchkine, fundadora do Théâtre, recentemente agraciada com um Leão de Ouro pelo conjunto de sua obra durante o Festival de Teatro da 39º edição da Bienal de Veneza.
Mnouchkine apresenta no Brasil não apenas uma montagem, mas também o modo de fazer e viver teatro que caracteriza o Théâtre du Soleil desde a sua fundação, em 1964:
- Desde 1970, o grupo está alojado no Bosque de Vincennes, na Cartoucherie, uma antiga fábrica de munição;
- O Théâtre emprega uma média de oito meses a um ano para ensaiar cada montagem;
- O compromisso fundamental de Mnouchkine de aliar estética e ética faz com que o grupo tenha uma ação política visível e engajada – não é raro hospedar refugiados na Cartoucherie, e o Théâtre promoveu inclusive uma viagem ao Afeganistão a fim de orientar oficinas de teatro para crianças (que depois foram trazidas para um estágio na Cartoucherie);
- Todos os integrantes da trupe – inclusive a diretora – ganham o mesmo salário, ou seja, 1.677 euros (por volta de R$4,3 mil);
- Não há tarefas exclusivas ou mesmo definidas – um ator também maneja uma empilhadeira para carregar a bagagem do grupo, a própria Mnouchkine cozinha e serve comida para o público (sim, porque, no intervalo de Les Éphémères, o público terá a oportunidade de experimentar uma refeição preparada pelo elenco);
- Quando o Théâtre começa a ensaiar uma nova montagem, não existe definição de quem assumirá cada personagem – ao longo dos meses de leitura, pesquisa e improvisação, cada ator conquista seu papel.
Mas, de novo, para entender o Théâtre du Soleil é preciso prestar atenção no gesto simples. Depois que Mnouchkine deixar você entrar na Cartoucherie, siga até o local onde estão instalados os camarins. Olhe, circule, acompanhe os artistas se maquiando, atente par o dia-a-dia de um artista. A conclusão é lógica: os artistas são pessoas, as pessoas são artistas. Lição para a vida toda.
Renato Mendonça
Caderno de Cultura
Zero Hora – 22/09/07
21 Setembro 2007
20 Setembro 2007
Certo/Errado
A primeira vista tão fácil identitificar. Fácil como luz e breu.
Mas quanto maior a luz, mais tênue a fronteira.
Pior. Cada erro fica mais certo e vice-versa.
Quanto erro é certo? Quantos acertos erram?
O certo vem da cultura, da criação, da sociedade,
da educação, da ideologia, da religião. O erro também.
Irmãos gêmeos, siameses às vezes.
É errando que se aprende. Aprende o que?
A não errar? Mas, você disse que o erro que ensina!
Ah entendi. Acertar depois de errar e não errar para acertar.
Mas, se o erro ensina, o melhor não é continuar errando?
Mas, sabe o que me atrapalha?
É quando um ato que sei certo gera um erro.
Quando eu amei, e meu amor causou dor, por exemplo.
O bem faz mal também.
Fui bom e me tornei mau.
Será que deveria ter odiado? Não sei.
É como se o certo e o errado tivessem vontade própria.
Acho que os atos não têm sexo (certo/errado).
Eles mudam de acordo com o ponto de vista do observador.
Teoria da relatividade. Física Quântica.
Fazer o certo, evitar o erro.
A gente pode isso?
Livre Arbítrio?
Sei não!
Mas quanto maior a luz, mais tênue a fronteira.
Pior. Cada erro fica mais certo e vice-versa.
Quanto erro é certo? Quantos acertos erram?
O certo vem da cultura, da criação, da sociedade,
da educação, da ideologia, da religião. O erro também.
Irmãos gêmeos, siameses às vezes.
É errando que se aprende. Aprende o que?
A não errar? Mas, você disse que o erro que ensina!
Ah entendi. Acertar depois de errar e não errar para acertar.
Mas, se o erro ensina, o melhor não é continuar errando?
Mas, sabe o que me atrapalha?
É quando um ato que sei certo gera um erro.
Quando eu amei, e meu amor causou dor, por exemplo.
O bem faz mal também.
Fui bom e me tornei mau.
Será que deveria ter odiado? Não sei.
É como se o certo e o errado tivessem vontade própria.
Acho que os atos não têm sexo (certo/errado).
Eles mudam de acordo com o ponto de vista do observador.
Teoria da relatividade. Física Quântica.
Fazer o certo, evitar o erro.
A gente pode isso?
Livre Arbítrio?
Sei não!
19 Setembro 2007
18 Setembro 2007
Meditation
Love is beautiful, fierce, and strong
An insatiable, all-consuming fire
A lion pacing on the red hot embers of desire
Love is a thirst that's never quenched
A sacred flame that can't be drenched
By icy showers of sobriety
Or a society
An insatiable, all-consuming fire
A lion pacing on the red hot embers of desire
Love is a thirst that's never quenched
A sacred flame that can't be drenched
By icy showers of sobriety
Or a society
.
Strangled by notions of propriety
Strangled by notions of propriety
So what kind of love is this
This love that dares not speak its name?
This love that hangs its head in shame?
Is this so-called love even worthy of its name?
Is this so-called love even worthy of its name?
.
True love doesn't lie
It doesn't hide
And it will never be denied
The right to sing its furious song
In the sad, empty streets from dusk 'til dawn
Love laughs at fear
And cries out its name for all to hear
.
Love is beautiful
Fierce, and loud
But most of all
Love is PROUD
.
Zumanity - Cirque du Soleil
True love doesn't lie
It doesn't hide
And it will never be denied
The right to sing its furious song
In the sad, empty streets from dusk 'til dawn
Love laughs at fear
And cries out its name for all to hear
.
Love is beautiful
Fierce, and loud
But most of all
Love is PROUD
.
Zumanity - Cirque du Soleil
17 Setembro 2007
16 Setembro 2007
Porto Alegre em Cena
O festival internacional de teatro Porto Alegre em Cena se consolida como um dos maiores e mais importantes encontros de artes cênicas da América do Sul. Como ocorre há quatorze anos, uma intensa programação cultural movimentará a cidade no mês de setembro, incluindo seminários, debates, workshops e encontros paralelos que transformam Porto Alegre na capital latino-americana do teatro. São espetáculos nacionais e internacionais, divididos em teatro e dança. Durante os 20 dias do Em Cena, serão apresentados 72 espetáculos, em mais de 150 apresentações em 21 teatros e diversos espaços alternativos; cerca de 800 atores e diretores circularão pela cidade, 39 palestrantes participam de mesas redondas; 10 oficineiros se dividem em aulas de cenografia, iluminação, encenação, texto, voz, leituras, coros, treinamento e malabarismo; 11 sessões de vídeo serão apresentadas, além de lançamentos de livros, desfiles e as festas do Ponto de Encontro.
http://www.poaemcena.com.br/
15 Setembro 2007
14 Setembro 2007
13 Setembro 2007
Apátrida
Cresci na época de um famoso slogan difundido pelo governo: “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Ele sempre me pareceu um sofisma estúpido, pois eu jamais deixaria de amar meu País por conta do governo, já que nem o governo, muito menos o próprio estado é o País. Eles são apenas o mal necessário à manutenção do contrato social de Hobbes. Também essa idéia comum de que o país é um território, nunca me fez muito sentido. Um grupo de árvores, terras, praias e belas paisagens não é um país. É só um pedaço do planeta, e um pedaço de terra por maior que seja se não povoado jamais será um país. Portanto, país é o povo que ocupa um território, e suas peculiaridades sociais.
Não estou decepcionado com o Senado, com o atual Governo, ou com os políticos, estou desiludido com o povo. Quando havia uma liderança de oposição que comandava sindicatos, centrais e órgãos de classe, o mesmo homem que ontem pregou o respeito às decisões “democráticas e soberanas”, comandaria a parada do país com greves e levaria milhares de pessoas às ruas. Agora como a esse homem e partido não interessam a revolta popular, contra seus aliados, não há nada. Além de esperneio entre os burguesinhos como eu.
O Gabeira continua um guerrilheiro, apanhou por nós nas portas do Senado, e deve ter te deixado, assim como eu, com vergonha de se dizer brasileiro.
Não há povo neste país, somos apenas boiada, massa de manobra.
O velho slogan começa a fazer muito sentido para mim. Vou passar a considerar com extremo carinho o convite que meu filho me fez para ir viver perto dele.
Não estou decepcionado com o Senado, com o atual Governo, ou com os políticos, estou desiludido com o povo. Quando havia uma liderança de oposição que comandava sindicatos, centrais e órgãos de classe, o mesmo homem que ontem pregou o respeito às decisões “democráticas e soberanas”, comandaria a parada do país com greves e levaria milhares de pessoas às ruas. Agora como a esse homem e partido não interessam a revolta popular, contra seus aliados, não há nada. Além de esperneio entre os burguesinhos como eu.
O Gabeira continua um guerrilheiro, apanhou por nós nas portas do Senado, e deve ter te deixado, assim como eu, com vergonha de se dizer brasileiro.
Não há povo neste país, somos apenas boiada, massa de manobra.
O velho slogan começa a fazer muito sentido para mim. Vou passar a considerar com extremo carinho o convite que meu filho me fez para ir viver perto dele.
11 Setembro 2007
O casal do Jardim Japonês
Tomavam chimarrão, conversavam animadamente, e alternavam as frases com breves olhadelas para a beleza do laguinho e exuberância das árvores. Não me chamaram muito a atenção até que em determinado momento muito animado da conversa, sorrindo muito, um deitou o rosto no ombro do outro. O ato de carinho espontâneo atraiu minha atenção.
Com o olhar indiscreto protegido pelos óculos escuros, comecei a esquadrinhar os dois jovens, não tinham mais de 30, eram bonitos e com aparência bem cuidada. A garrafa térmica descansava no assento ao lado do maior, que estava de bermudas, camisa pólo e uma elegante sandália de tiras de couro. O outro, em traje esportivo, calça de agasalho, tênis e camiseta, segurava a cuia.
Sentavam-se muito próximos, quadris colados, numa posição que dificultava olharem-se nos olhos enquanto conversavam. Aquele tipo de posição que só namorados acham, para trocar olhares, e que em qualquer outro tipo de situação seria extremamente desconfortável.
O preconceito, que perdurou por muito mais tempo que o razoável, contra o amor considerado “diferente” pela maioria estúpida, gerou uma espécie de discrição de comportamento entre gays, que tirando sua origem na discriminação, muito me agrada. A sutileza de movimentos, gestos e atos são de uma poesia e delicadeza que escapam a vasta maioria dos embotados héteros. É como se a “permissão social” para demonstrar carinho, embrutecesse os relacionamentos ditos “convencionais”. Quando não os tornam realmente deselegantes e ofensivos.
Já presenciei atos de carinho entre dois homens, ou mulheres, que seriam impossíveis de ver num casal de desiguais. Olhadelas que diziam mais que qualquer declaração ou poesia. Toques ligeiros de dedos, mais eróticos que qualquer língua seria capaz. E neste dia foi o que presenciei.
Forçando um pouco a visão, vi que o moço de agasalho tinha a mão esquerda pousada sobre sua perna, e seu dedo mínimo encostava levemente na coxa de seu amado. O dedo roçava míseros milímetros, num movimento de sobe e desce, sobre dois ou três pêlos da perna do companheiro. Aquela era a perna mais amada da Redenção naquele domingo. Era um carinho tão diminuto e profundo, que me senti envergonhado da explicitude de minha pose sobre a ponte.
Nesses momentos, tenho uma inveja incontrolável, de quem é ou foi discriminado pela sua forma de amar.
09 Setembro 2007
08 Setembro 2007
Teoria da Relatividade
Eu tinha uns 14 anos, quando meu pai alugou uma casa numa praia, que não lembro qual, para passarmos uma semana. Foi a semana mais longa e angustiante da minha adolescência.
Eu nunca fiz o tipo galã e na época parecia muito mais provável que o meu pai me emprestasse o galaxie para dar uma banda sozinho, do que uma menina se interessar por mim. Mas, foi justamente isso que aconteceu naquela semana.
Na casa ao lado, que era separada da nossa, apenas por alguns metros de grama, havia uma família veraneando, casal jovem, com filhos pequenos, e uma menina de uns 15 anos que cuidava/brincava com as crianças. Não foi a primeira menina que se interessou por mim, mas foi primeira que demonstrou interesse por algo que eu tinha descoberto a pouco que homens e mulheres faziam.
Como eu não passaria nunca dos olhares, ela tomou a iniciativa e me beijou, acho que no segundo dia. No terceiro durante uma conversa ela me pergunta se eu já...Pergunta que todo menino teme mais que mostrar o boletim para os pais no final do bimestre. Pegou-me tão de surpresa que não tive nem o reflexo de mentir e confessei minha virgindade. Por incrível que pareça aquilo fez com ela ficasse ainda muito mais interessada. Ela me deu outro beijo e disse que “resolveria” isso, como se soubesse que esse era o maior problema da minha vida.
Mas, o destino nunca foi muito bonzinho comigo. Os outros 4 dias foram pura tortura. Tudo o que podia dar errado para que conseguíssemos ficar a sós, aconteceu. Por mais que procurássemos privacidade, sempre havia um adulto ou criança para interromper tudo, quando conseguíamos passar dos beijos furtivos e mãos bobas. Foi umas das maiores decepções da minha curta vida, quando ajoelhado do banco traseiro do galaxie, via pelo vidro minha “quase” primeira mulher afastar-se acenando parada em frente a casa. Um tchau que sabíamos definitivo, e que me deixaria uma vontade atordoante pelos próximos 2 anos.
Dos 16 aos 18, outro objetivo me torturou. Até eu poder finalmente sentar no banco do motorista do Maverick V8 do meu pai, sem o pânico de ir parar numa delegacia. Esses 4 anos juntos foram, sem nenhuma dúvida, os mais longos da minha vida. Lembro que todos os objetivos importantes dependiam de eu envelhecer. Hoje já passei da idade máxima para tudo o que queria naquela época, e os anos voam a uma velocidade que me escapam à visão. Coisas que vivi a dois, cinco ou dez anos atrás parecem que foram no final de semana passado.
Deveria haver habilitações que só alcançássemos aos 30, 50, 70... Prerrogativas que só nos concedessem daqui a 10 anos. Paradoxalmente, acho que a verdadeira fonte da juventude, ou pelo menos a garantia de uma vida bemmm longa, é querer, desesperadamente, ficar mais velho.
Tenho que descobrir algo realmente importante que eu só possa fazer aos 80.
Eu nunca fiz o tipo galã e na época parecia muito mais provável que o meu pai me emprestasse o galaxie para dar uma banda sozinho, do que uma menina se interessar por mim. Mas, foi justamente isso que aconteceu naquela semana.
Na casa ao lado, que era separada da nossa, apenas por alguns metros de grama, havia uma família veraneando, casal jovem, com filhos pequenos, e uma menina de uns 15 anos que cuidava/brincava com as crianças. Não foi a primeira menina que se interessou por mim, mas foi primeira que demonstrou interesse por algo que eu tinha descoberto a pouco que homens e mulheres faziam.
Como eu não passaria nunca dos olhares, ela tomou a iniciativa e me beijou, acho que no segundo dia. No terceiro durante uma conversa ela me pergunta se eu já...Pergunta que todo menino teme mais que mostrar o boletim para os pais no final do bimestre. Pegou-me tão de surpresa que não tive nem o reflexo de mentir e confessei minha virgindade. Por incrível que pareça aquilo fez com ela ficasse ainda muito mais interessada. Ela me deu outro beijo e disse que “resolveria” isso, como se soubesse que esse era o maior problema da minha vida.
Mas, o destino nunca foi muito bonzinho comigo. Os outros 4 dias foram pura tortura. Tudo o que podia dar errado para que conseguíssemos ficar a sós, aconteceu. Por mais que procurássemos privacidade, sempre havia um adulto ou criança para interromper tudo, quando conseguíamos passar dos beijos furtivos e mãos bobas. Foi umas das maiores decepções da minha curta vida, quando ajoelhado do banco traseiro do galaxie, via pelo vidro minha “quase” primeira mulher afastar-se acenando parada em frente a casa. Um tchau que sabíamos definitivo, e que me deixaria uma vontade atordoante pelos próximos 2 anos.
Dos 16 aos 18, outro objetivo me torturou. Até eu poder finalmente sentar no banco do motorista do Maverick V8 do meu pai, sem o pânico de ir parar numa delegacia. Esses 4 anos juntos foram, sem nenhuma dúvida, os mais longos da minha vida. Lembro que todos os objetivos importantes dependiam de eu envelhecer. Hoje já passei da idade máxima para tudo o que queria naquela época, e os anos voam a uma velocidade que me escapam à visão. Coisas que vivi a dois, cinco ou dez anos atrás parecem que foram no final de semana passado.
Deveria haver habilitações que só alcançássemos aos 30, 50, 70... Prerrogativas que só nos concedessem daqui a 10 anos. Paradoxalmente, acho que a verdadeira fonte da juventude, ou pelo menos a garantia de uma vida bemmm longa, é querer, desesperadamente, ficar mais velho.
Tenho que descobrir algo realmente importante que eu só possa fazer aos 80.
05 Setembro 2007
Mal desnecessário
Estamos tão acostumados com a intervenção do estado, que cometemos erros graves na condução de nossas vidas. Para piorar, esses equívocos de interpretação são incentivados pelos órgãos oficiais e imprensa, como se quisessem que a população continuasse a pensar que o poder coercitivo do estado é eficaz e maior do que a lei lhe permite.
Um dos piores erros de interpretação é a confusão entre proibição e penalização de condutas. O único texto aceito, pela maioria da nossa sociedade, sobre proibições são os 10 mandamentos. O código penal não proíbe nada. Pode parecer, à primeira vista, uma questão apenas de semântica, mas entre “não matarás” e “matar alguém, pena – reclusão de 6 a 20 anos” há uma diferença prática brutal.
O estado não proíbe que se mate, ao contrário, em vários casos defende que se tire a vida de outra pessoa, como em estado de necessidade, legitima defesa e outros. Portanto, matar não é proibido, mesmo que se mate sem estar nas condições em que a lei defende este ato, ao estado cabe apenas apenar a conduta que naquela época a sociedade entende como danosa. Não esqueça que os crimes mudam e que as leis penais são estúpidas por natureza. Quer um exemplo? Amar é crime? Alguma religião, principais fontes das leis, proíbe o amor? Pois é. Mas, duas condutas intimamente ligadas ao amor, a homossexualidade e o adultério ainda são apenadas com a morte, entre neandertais contemporâneos.
Este equívoco entre proibição e penalização, além de causar erros, como inúmeros artigos onde jornalistas dizem que: “a entidade tal realiza movimento para que o aborto deixe de ser proibido no Brasil”, na prática gera problemas realmente graves. Um deles é exatamente com relação ao aborto. Não vou discutir a questão ética do aborto, porque sou contra, por princípio, a toda coerção à liberdade individual. Só posso dizer que se fosse mulher, a princípio não abortaria, e como pai faria o possível para evitar essa decisão, como já tive oportunidade de fazer na prática. Mas, defendo incondicionalmente a liberdade dos outros de pensar e agir de forma diferente.
Muitas vezes vi noticiado que determinada moça grávida por estupro, teve a criança esperando uma decisão judicial que a permitisse fazer o procedimento. Esse é um dos disparates da interpretação equivocada da lei. Não é necessária nenhuma autorização legal para realizar uma conduta que não é apenada pelo código penal. Seria o mesmo que esperar que um juiz autorizasse um cidadão a matar um assaltante, que entra armado em sua casa a noite.
O sistema penal, em realidade, é um placebo ao qual a sociedade atribui o poder de curar o câncer da violência humana, e se você quer continuar acreditando que a farinha vai curar nosso câncer, o problema é só seu, mas não transforme remédio inerte em veneno.
Um dos piores erros de interpretação é a confusão entre proibição e penalização de condutas. O único texto aceito, pela maioria da nossa sociedade, sobre proibições são os 10 mandamentos. O código penal não proíbe nada. Pode parecer, à primeira vista, uma questão apenas de semântica, mas entre “não matarás” e “matar alguém, pena – reclusão de 6 a 20 anos” há uma diferença prática brutal.
O estado não proíbe que se mate, ao contrário, em vários casos defende que se tire a vida de outra pessoa, como em estado de necessidade, legitima defesa e outros. Portanto, matar não é proibido, mesmo que se mate sem estar nas condições em que a lei defende este ato, ao estado cabe apenas apenar a conduta que naquela época a sociedade entende como danosa. Não esqueça que os crimes mudam e que as leis penais são estúpidas por natureza. Quer um exemplo? Amar é crime? Alguma religião, principais fontes das leis, proíbe o amor? Pois é. Mas, duas condutas intimamente ligadas ao amor, a homossexualidade e o adultério ainda são apenadas com a morte, entre neandertais contemporâneos.
Este equívoco entre proibição e penalização, além de causar erros, como inúmeros artigos onde jornalistas dizem que: “a entidade tal realiza movimento para que o aborto deixe de ser proibido no Brasil”, na prática gera problemas realmente graves. Um deles é exatamente com relação ao aborto. Não vou discutir a questão ética do aborto, porque sou contra, por princípio, a toda coerção à liberdade individual. Só posso dizer que se fosse mulher, a princípio não abortaria, e como pai faria o possível para evitar essa decisão, como já tive oportunidade de fazer na prática. Mas, defendo incondicionalmente a liberdade dos outros de pensar e agir de forma diferente.
Muitas vezes vi noticiado que determinada moça grávida por estupro, teve a criança esperando uma decisão judicial que a permitisse fazer o procedimento. Esse é um dos disparates da interpretação equivocada da lei. Não é necessária nenhuma autorização legal para realizar uma conduta que não é apenada pelo código penal. Seria o mesmo que esperar que um juiz autorizasse um cidadão a matar um assaltante, que entra armado em sua casa a noite.
O sistema penal, em realidade, é um placebo ao qual a sociedade atribui o poder de curar o câncer da violência humana, e se você quer continuar acreditando que a farinha vai curar nosso câncer, o problema é só seu, mas não transforme remédio inerte em veneno.
02 Setembro 2007
O apanhador de tartarugas
Meu quintal está menor, desconfio que tenha sido eu que cresci, mas lá dentro eu não sou e nunca serei um homem, só um guri e sempre moleque. Porque molecagem era o que eu fazia de melhor na Redença. Uma das minhas prediletas era capturar tartarugas nos vários lagos do parque. Tornei-me especialista. Pegar uma tartaruga na terra, sem ser mordido ou arranhado, já é uma tarefa
Algumas vezes levava uma para passar alguns dias em casa, depois devolvia para o parque. Aí a técnica tinha que ser duplamente apurada, pois após a captura tinha que enrolar o bicho no agasalho em dois tons de azul do colégio e atravessar o parque disfarçadamente para que ninguém percebesse o delito. Minha mãe ficava maluca quando chegava em casa e eu estava com uma de mais de quilo na banheira, entupindo-a de carne moída.
Mas, domingo eu tinha o cúmplice perfeito e dinheiro no bolso. Então alugamos o pedalinho e lá fomos nós à caça. Tirando uma unhada, o Felipe foi bem, com um pouco de prática vai virar um ótimo apanhador de tartarugas. Depois da “aula” de moleque pra moleque, fomos dar ração às carpas. Faltou só a fanta uva. Em ne
01 Setembro 2007
oPTei
Muito estardalhaço tem sido feito com o recebimento das denúncias dos envolvidos no caso do mensalão pelo STF. Pessoas vangloriando-se do governo “estar” cortando na carne, e “deixando” os corruptos serem punidos. Chamando isso de “democrático”.
Interessante, como pontos de vista podem ser tão dispares. Vejo isso tudo, como um retrocesso brutal na democracia brasileira. Festejar e chamar de democrático, criminosos serem julgados, é tão equivocado e tendencioso quanto chamar Fidel de democrático.
Democrático para mim, foi o que aconteceu com Collor e PC Farias. Aquilo sim foi um avanço para a democracia nacional. Mas, os “cara-pintadas” estão envergonhados, encolhidos, ou fazem parte do PT, ou todas as opções acima.
Tenho saudades do PT na oposição, e sinceramente acredito que o País tem muito mais a ganhar com eles nesta posição. No que depender de mim, o PT será para sempre oposição.
Porque democrático é derrubar presidentes e governos que são ou permitem a corrupção, e nisso o PT é imbatível.
Interessante, como pontos de vista podem ser tão dispares. Vejo isso tudo, como um retrocesso brutal na democracia brasileira. Festejar e chamar de democrático, criminosos serem julgados, é tão equivocado e tendencioso quanto chamar Fidel de democrático.
Democrático para mim, foi o que aconteceu com Collor e PC Farias. Aquilo sim foi um avanço para a democracia nacional. Mas, os “cara-pintadas” estão envergonhados, encolhidos, ou fazem parte do PT, ou todas as opções acima.
Tenho saudades do PT na oposição, e sinceramente acredito que o País tem muito mais a ganhar com eles nesta posição. No que depender de mim, o PT será para sempre oposição.
Porque democrático é derrubar presidentes e governos que são ou permitem a corrupção, e nisso o PT é imbatível.
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