30 Junho 2007

Controle

Me ensina a amar menos!
Me ensina a hierarquizar o amor!
Me ensina como dar o máximo só um pouquinho!
Me ensina a sentir tudo, mas só a metade!
Me ensina...
Não! Pensando bem, se você sabe. Não me ensina não.
Posso aprender a amar menos a vida!
Posso aprender hierarquia e perder quem amo!
Posso aprender a dar um pouquinho e achar que isso é o máximo!
Posso aprender a sentir tudo pela metade!
Me esquece...

28 Junho 2007

Hotel Majestic

Pela Rua da Praia entramos no Hotel Majestic. Tudo bem! Sei que agora é Casa da Cultura Mario Quintana, mas eu sou chato mesmo. O Mario morou naquele hotel e agora o hotel é dele, todo dele! E se o Mário, como meu avô, chamou aquele lugar de Hotel Majestic à vida toda, não reconheço a autoridade do Governo do RS para mudar o nome do prédio mais lindo de Porto Alegre.
Gosto do Mario porque ele “passarinho” e eu “piloto”, e pilotos adoram tudo que voa. Ele nem precisava dizer coisas que me dizem tanto:
Das utopias
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas
!”
Mas, diz.
Sempre nutri uma admiração meio platônica pelo Majestic, como aquele adolescente que deseja a mulher feita, admirando-a a distância, esperando que o tempo o transforme num homem a sua altura. Entrei pelo saguão principal do hotel, onde velhas e largas poltronas de couro preto rodeiam uma grande mesa de centro repleta de jornais, o saguão vazio intimidava, mas agora eu estava à altura de minha amada. Olho para a direita e a enorme foto do poeta apoiado na bengala, em frente a um antigo alfa romeo estacionado na rua da praia, prenuncia o que me espera. Desprezo o moderno elevador que é uma excrescência maculando a dignidade do prédio. Não podia usar nada tão direto como um elevador, tinha que despir minha amada, peça por peça, subir por suas deliciosas curvas degrau por degrau. Não ouvi o Mario:
Os degraus
Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos – onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo
...”
Subi!
O Mário morou no Majestic entre 1968, ano que nasci, e 1982. No segundo andar dei de cara com umas urnas de vidro que me desanimaram, coisas como restos da instalação elétrica antiga do hotel, uma enorme tampa de chaminé, uma luminária e por aí vai.
Nunca gostei de museus como este, porque são túmulos de objetos, assim como cemitérios não me dizem nada. Quem morre não me diz nada, mas o Mário virou passarinho!Olho a esquerda e vejo um corredor muito interessante, ali dá para ver o Hotel Majestic, não seu esquartejamento em túmulos de vidro. Tudo vazio. Caminho para o corredor, só há uma porta aberta, a segunda à direita. O apartamento 217 do Mario me convida a entrar. Nova decepção: é uma sala pequena e vazia com lindas fotografias nas paredes e um cavalete com um painel pb.
Lindas imagens. Mas, são “só” lindas imagens. É quando percebo que há uma vitrine nessa sala, é noite e a iluminação atrás do vidro é tênue, não enxergo bem o que o vidro esconde, até me aproximar.
Paro com o nariz quase encostado no vidro e fico meio bobo sem acreditar no que vejo, ali atrás do vidro está o quarto do Mário. Não um amotoado de objetos mortos, arrumadinhos como ossos catalogados, mas o quarto do Mário! A sensação é desconsertante.
Me perdoa a comparação infeliz, mas é como estar atrás dos espelhos da casa do BBB, olhar aquilo é de uma indiscrição brutal, por alguns segundos tenho a sensação de que o Mário foi no banheiro e pela porta entreaberta eu sorrateiramente espio sua intimidade.
Não é nada arrumadinho, nem no lugar. Claro! Afinal é o quarto do Mário!
Só depois do primeiro impacto começo a prestar a atenção nos detalhes, e tudo só piora, ou melhora, ou sei lá, digamos que fica mais forte. Em primeiro plano a mesa, onde seus óculos descansam, nos minutos que ele foi ao banheiro, sobre o papel que tem a honra de conter sua caligrafia, em frente o cinzeiro cheio dos restos de suas baforadas, ao lado da garrafinha verde de água sarandi. A cama, a cama é indescritível, sobre as emboladas cobertas repousa um correio do povo, jornal onde meu avô trabalhou a vida toda, a apenas duas quadras dali. Na parede sobre o criado mudo um ostencivo poster de Greta Garbo. Bom gosto do poeta:
Greta
Dois versos para Greta Garbo
O teu sorriso é imemorial como as Pirâmides
e puro como a flor que abriu na manhã de hoje
...”

Podia ficar até sempre descrevendo o que via, e nem assim conseguiria dizer o que senti em invadir o quarto do Mário. Mas, sem dúvida o mais forte é sua presença ali. Ele só tinha dado um pulinho no banheiro...
Só quando consegui descolar o nariz do vidro é que percebi que o Mário tinha me visto entrar. Ao me afastar da vitrine o vi, livre, escrevendo e desdenhando de quem ousava espiar.
O resto do prédio acomoda espaços culturais, como a Biblioteca Lucília Minssen, parte do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, o Acervo Elis Regina, a Discoteca Pública Natho Henn, as Galerias Xico Stockinger e Sotéro Cosme, os teatros Bruno Kiefer e Carlos Carvalho, três salas de cinema, cafés, bombonière, livraria, e inúmeras salas.
Que também maculam o Majestic, mas à arte eu permito esse sacrilégio, mesmo porque o Mário aprova isso tudo em sua casa. Mas, confesso que todo o resto ficou pequeno depois do quarto do poeta.Libertação
A morte é a libertação total:
A morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapato

A vida
Mas se a vida é tão curta como dizes porque que é que me estás lendo até agora
?”

http://www.ccmq.rs.gov.br/

26 Junho 2007

O punk da Rua da Praia

Estacionei na Rua da Praia. Na verdade o nome há mais de duzentos anos é Rua dos Andradas, mas em homenagem ao meu avô, que me levava para tomar sorvete “na rua da praia”, assim ela sempre será. Na época dos meus sundays de morango já era “dos andradas”, mas para meu avô que havia pisado com sapatos bicolores, em um terno de linho branco S-120, sob um chapéu panamá na Rua da Praia, a rua mais famosa de Porto Alegre nunca seria “dos andradas”, nem de ninguém, a não ser daquelas garbosas figuras que como ele passeavam cumprimentando as moçoilas com elegantes toques nos chapéus. Aquela rua é do meu avô e se ele a chamava de Rua da Praia ela será sempre Rua da Praia e ponto! Ela se chamava assim porque há muito tempo ficava às margens do Rio Guaíba quando também era possível banhar-se em suas praias, hoje por conta dos sucessivos aterros está a 3 quadras do rio.
Descemos do carro e fui abordado por um punk. Cabelo moicano verde, coturno, calça e saia pretos, moleton heavy metal também preto, correntes prateadas peduradas e piercings por todo o lado. Quando me enxergou saindo do carro veio reto, acho que o meu visual deixa “alternativos” em geral meio a vontade, bateu no meu ombro com a delicadeza típica de quem está acostumado a ser repelido ou agredido por humanos. Engatou um papo padrão, com hálito de cerveja, que está trabalhando com adesivos, pela causa e lutando para sobreviver e blá, blá, blá... Quando terminou, não falei nada, sorri e olhei no fundo dos olhos dele. Não como se estive questionando ou criticando o papo furado, mas com o olhar tranqüilo de quem iria lhe dar o dinheiro, mesmo que não falasse nada. Ele não sabia que para quem vive no fim do mundo, enaltece a diversidade das grandes cidades e pisava com um prazer ancestral na Rua da Praia, um punk de cabelo verde, era tudo que eu queria para me dar as boas vindas na minha Porto Alegre. Talvez assustado pelo meu sorriso e olhar de simpatia apenas por ele existir, meio sem querer e num tom bem mais solto, ele diz: “tá boa a noite, tô afim duma cerveja e dum cigarro”. A noite estava mesmo uma delícia, quente e com um ventinho morno que pedia uma cerveja, então mesmo sem saber, pela sinceridade, ele dobrou o valor da “contribuição” para a causa.

25 Junho 2007

Overdose de emoção!

Só o reencontro com meus filhos, já seria mais que o suficiente para fazer esse final de semana inesquecível. Mas, como sou exageradamente ambicioso, aproveitei para fazer tudo que foi possível em um dia e meio na minha velha e boa Porto Alegre. A relação do que fizemos é essa aí, depois esmiúço cada um, pois há muito que falar, sentir e relembrar:

- Visita ao “quarto do poeta” na Casa de Cultura Mario Quintana;
- Exposição de Fotografia “Paisagens do Invisível - Infância, AIDS e Esperança em Moçambique”, também na CCMQ;
- Exposição de Arte “Metamorphoses de Mariza Monte” no Centro Cultural Usina do Gasômetro;
- Exposição “Goya: As Gravuras da Coleção Caixanova” no MARGS;
- Peça “Fala baixo senão eu grito” no Theatro São Pedro;
- E brique da Redenção no domingo.

Haja coração!

21 Junho 2007

“Crianças”

Este final de semana, expira um longo, arrastado e às vezes dolorido período de 4 anos em que me vi privado da convivência com meus legados ao planeta. Vou ao encontro dos meus melhores pedaços, que vêm voando para o colo desse pai coruja...
Estou nervoso...
Até segunda...

Ex-piloto

Num dia qualquer perdido no passado, estava almoçando no restaurante envidraçado do Aeroclube do Rio Grande do Sul, com uma linda vista dos coloridos paulistinhas (P-56) e o charmoso piper J3 descansando com a pista ao fundo. Na mesa estavam pilotos, entre eles meu instrutor, quando em meio a um comentário eu larguei que “fulano de tal tinha sido” piloto. Como se eu tivesse cometido uma grande gafe, todos pararam de comer e me olharam, imediatamente o Lauter, que tinha a tarefa de me fazer piloto, corrigiu: “Caldas, não existe ex-piloto, um piloto é piloto pra sempre”.
Na época a frase não me fez muito sentido. Eu queria trabalhar como piloto, e se ser piloto era uma profissão, quem não a exerce mais é ex-piloto. Pensei eu, com a pouca profundidade típica dos aprendizes.
Precisei de muitos anos em terra, longe de manches, manetes e nuvens, para entender a puxada de orelha.
Mesmo que nunca mais nesta vida eu faça um check pré-decolagem, jamais deixarei de ser piloto. Até tentei. Menosprezei a “profissão” que deixei para trás, falei mal da “carreira” que um dia sonhei, aceitei que nunca vou “trabalhar” como piloto. Mas, infelizmente ser piloto não é profissão. Por mais que tenha me esforçado para ser um ex-piloto, nem por um segundo deixei de sonhar em voar, em voltar ao céu.
Hoje me lembraram o quanto o céu é lindo. Sim, o céu é lindo, é perfeito. Não consigo viver sem olhar o céu. Com qualquer tempo e em qualquer hora o céu é lindo!
Por isso, mesmo que nunca mais eu voe, e isso doa, como dói agora, EU SOU PILOTO.
Porque a lembrança de um dia ter feito parte do céu me faz mais bonito.

20 Junho 2007

Está perto...

Esse cara tem 2 metros. Porque ele não cabe em menos!

Essa menina é uma Grande Mulher!
To: "ELTON Caldas Santos" eltoncaldas@hotmail.com
Date: Tue, 22 May 2007 12:41:00 -0400
“No anexo esta a minha fotinho nova se vc nao viu ainda no Orkut! Eu doei meu cabelo para uma instituicao de caridade que faz perucas para criancas q tem cancer e fazem quimio. O site eh
http://www.locksoflove.com/ dah uma olhadinha! Eh bem legal!”

Garimpo

Sombra de um homem feliz diante de uma mina abandonada.
Sou louco por cinema e por castigo moro numa cidade que não tem nenhum. Por isso a locadora é minha tábua de salvação. Tábua fininha é verdade, por conta do predominante gosto hollywoodiano, mas é o que temos. Hoje, quando fomos buscar para rever “tudo sobre minha mãe” (estávamos com saudade da Agrado) descobrimos que a dona da locadora, mantinha numa garagem insalubre todo o estoque de VHSs, que lá foram abandonados quando os DVDs suplantaram definitivamente os videocassetes. Quando abri a garagem, foi isso aí que vi.
Dá para ter uma idéia do que apaixonados por cinema, que amam sebos, briques e antiquários, sentem ao ver isso? O próprio casal de pintos no lixo! Nem pegamos o DVD do Almodóvar. Foram quase duas horas de mergulho na poeira.
Numa primeira passagem rápida resgatamos: Atame!; Amistad; A Rainha Margot; O Santo; O Carteiro e o Poeta; Melhor é Impossível; O Auto da Compadecida e Fogo Contra Fogo. O melhor de tudo? Míseros R$2,00 por fita!Voltamos lá ainda esta semana, se possível para nos presentear com uma tarde inteira.

19 Junho 2007


18 Junho 2007

Monologo de la Agrado

Antonia San Juan

Monólogo da Agrado em "Tudo sobre minha mãe".
Por causas alheias a sua vontade, duas das atrizes que diariamente triunfam sobre este palco, hoje não podem estar aqui, pobrezinhas. Assim, se cancela o espetáculo. Aos que quiserem, será devolvido o dinheiro da entrada, mas aos que não tenham nada melhor para fazer e já que vieram ao teatro, é uma pena que se vão. Se ficarem, eu prometo distraí-los contanto a história da minha vida. Adeus, sinto muito, eh. Se eu lhes aborrecer façam como se estivessem roncando – assim: Grrrrr – vou embora rápido e em nada ferirá minha sensibilidade. (eh, de verdade!)
Me chamam Agrado, porque toda minha vida só pretendi tornar agradável a vida dos outros. Além de agradável, sou muito autêntica. Olhem que corpo, tudo feito sob medida: rasgo dos olhos, 80.000; nariz 200, jogados no lixo porque um ano depois me deixaram assim com outra porretada... já sei que me dá muita personalidade, mas mesmo sabendo prefiro não tocá-lo. Tetas, 2, porque não sou nenhum monstro, 70 cada uma, mas estas que tenho já estão bem pagas. Silicone nos lábios, frente, malar, quadris e bunda. O litro custa uns 100.000, tem que fazer as contas porque eu, já me perdi...Raspagem na mandíbula 75.000; depilação definitiva a laser, porque a mulher também vem do macaco, bom, tanto ou mais que o homem! 60.000 por sessão. Depende da barbuda, se for normal é de 2 a 4 sessões, mas ser for folclórica necessita mais, claro...bom, como estava dizendo, custa muito ser autêntica, senhora, e nestas coisas não dá para economizar, porque uma (mulher) é mais autêntica quanto mais se parece ao que sonhou de si mesma.
(perdoem minha tradução)

Eu não quero justiça

Tenho visto muito na televisão, escarnecidos “eu quero justiça”. Longe de menosprezar a dor alheia, me pergunto: que justiça?
Abro o dicionário: “jus.ti.ça - sf princípio e atitude que consiste no respeito aos direitos de cada um e na atribuição daquilo que é devido a cada pessoa”.
O conceito é tão limpo, tão elegante. Não diz nada com o dolorido “eu quero justiça”.
Lembro das aulas. Algo como: “O Estado a fim de evitar atrocidades, tomou para si à tarefa de vingar, nascendo assim o direito penal”.
Novamente o livrinho: “vin.gan.ça - sf ato praticado em represália contra aquele que é ou seria o causador de algum dano”.
Agora sim! Isso reflete como um espelho de cristal o “eu quero justiça”.
Já no primeiro ano da faculdade com “os exploradores de cavernas”, descobri que não sou um positivista, e como naturalista não nego ao ser humano a legitimidade do direito nascido do instinto. Como é o caso da vingança. Pode soar agressivo chamar vingança de direito. Mas, o Estado não a pratica e regulamenta? É um direito! Só me foi confiscado o seu exercício.
Você idolatra quem pregou o perdão e considera a vingança um pecado? Lhe é desagradável ouvir que sua justiça penal é vingança? Pare aqui. Vai ficar mais desagradável.
Muitos de meus colegas queriam ser juízes. Também pensei sobre isso, confesso. Mas, quando investiguei, a luz de meus princípios, os pré-requisitos para a função, especialmente de juiz criminal, desisti. A exigência mínima para julgar, pela minha ética simplista, é ser justo. E ser justo dá muito trabalho! Um trabalho que o salário e status de magistrado não compensam para mim.
Já pensou em encarar de forma equânime (justa) a vítima e o réu? É fácil se aproximar da humanidade da vítima. Mas, eu não tenho estômago para ser “justo” com assaltantes que arrastam meninos por sete quilômetros. Nem você né? Mas, tudo bem, afinal eles são monstros.
Percebeu a repulsa em nos aproximar do assassino?
É tão difícil nos “justiçar” que precisamos colocá-los longe para apená-los. Tão longe que até os excluímos da espécie humana.
Para penalizar um semelhante, ou nos petrificamos olhando nos olhos da medusa, para que o ódio alimente o desejo de vingança ou nos afastamos da humanidade de quem será punido, como em geral fazem os agentes da justiça, e isso é perigoso.
Os passos são: Focamos-nos apenas no que fizeram; retiramo-lhes o nome e a história, substituindo por um número e/ou estereótipo; subjugamo-os com correntes; evitamos que se vistam como nós; os colocamos em um sistema onde os agentes não são responsáveis por nada, cada um só cumpre sua estanque função; o sistema é perverso, a quem não entra por erro só é dado escape se negar quem é, ou mentir sobre o que fez; os agentes do sistema ouvem e repetem à exaustão que o que estão fazendo é correto e necessário; e por fim aplica-se a pena.
Porque isso é perigoso? Caso você não tenha reparado, independentemente de quem o percorre, ou de ser isso justo ou não, o caminho que leva a uma cela é exatamente o mesmo que levou um dia às câmaras de gás.
Não quero “essa justiça”.

17 Junho 2007

Fórmula 1

Acabo de assistir a vitória do Lewis Hamilton em Indianápolis, nada de mais se não fosse à sétima corrida consecutiva em que o rapaz de 22 anos sobe ao podium. Nada de mais, se ele não tivesse apenas 7 corridas na fórmula 1. Nada de mais, se ele não fosse o líder do campeonato no seu primeiro ano. E nada de mais, se nessas poucas etapas não tivesse colocado, por mais de uma vez, nos seus medíocres lugares, campeões e pilotos festejados.
Corrida é o único esporte que consegue me segurar por mais de uma hora em frente a uma televisão, sempre fui fissurado em velocidade, mas depois do curso de pilotagem (de avião) é que passei a realmente admirar e valorizar a perícia de dominar máquinas em situações limítrofes.
Estive afastado dessa diversão dominical por muito tempo. Depois da viuvez do Senna e da pilotagem eficiente e monótona do Schumacher, só quebrada quando aflorava seu mau-caratismo, me vi órfão da genialidade nas pistas.
Mas, quando parecia que a mediocridade iria continuar sendo comandada pelo arrogante hobbit espanhol, eis que surge a bordo de uma pele negra e portando um limpo e cativante sorriso: a genialidade!
Seja bem vindo aos meus domingos Hamilton!
Para ficar perfeito, só faltava a Mclaren voltar ao politicamente incorreto bicolor do marlboro e o Galvão cair novamente do cavalo, e perder a voz.

16 Junho 2007

Amar é...

Aproveitando a onda de saudosismo desencadeada pelo Roveri, além dos masculinos carrinhos de rolimã, pandorgas e bolinhas de gude, lembrei-me dos álbuns de figurinha e da feminina “época” do Amar é...
Inspirados em seus próprios criadores, Robert e Kim, os personagens surgiram no jornal Los Angeles Times, na década de 70, em forma de bilhetes ilustrados. Atualmente, quem desenha os eternos enamorados é o filho do casal, Stefano Casali.
Mas, se me permitem, vou dar um upgrade nos frasistas.

“O amor é a poesia dos sentidos. Ou é sublime ou não existe. Quando existe, existe para todo o sempre e aumenta cada vez mais.”
“Amor que economiza não é jamais um amor verdadeiro.”
“O amor não é apenas um sentimento é também uma arte.”
BALZAC

O amor é um mestre admirável que nos ensina a ser o que nunca fomos; e muitas vezes, com suas lições, muda completamente, num instante, os nossos costumes.
MOLIÈRE

Quem está amando menos já não ama.
J. ROUX

É uma loucura amar, salvo quando a gente ama com loucura.
YTHIER

Lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor.
SHAKESPEARE

O amor não se obriga; rebenta espontâneo no coração.
J. MANUEL DE MACEDO

“Amar é mudar a alma de casa.”
“Uma das mais deliciosas manifestações de amor é a falta de respeito.”
MARIO QUINTANA

Temer o amor é temer a vida, e os que temem a vida já estão meio mortos.
B. RUSSEL

O amor não é louco. Sabe muito bem o que faz e nunca age sem motivo. Loucos somos nós que insistimos em querer entendê-lo no plano da razão.
M. COLASANTI

Amar alguém é ser o único a ver um milagre invisível aos outros.
MAURIAC

“O amor é formado de uma só alma, habitando dois corpos.”
“O amor é o sentimento dos seres imperfeitos, posto que a função do amor é levar o ser humano à perfeição.”
ARISTÓTELES

O amor verdadeiro é amar sem medida.
BEVILACQUA

Que eu tenha peso e medida em tudo... menos no amor.
BALAGUER

Só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir estrelas.
OLAVO BILAC

Amar é a eterna inocência. Amar é não pensar.
FERNANDO PESSOA

O amor não tem nada a ver com o que esperas conseguir, somente com o que esperas dar; quer dizer, tudo.
KATHERINE HEPBURN

Amar é deixar de comparar.
BERNARD GRASSET

O amor não se manifesta no desejo de deitar com alguém, mas no desejo de dormir junto a alguém.
MILAN KUNDERA

Quem não ama demais não ama o bastante.
BUSSY RABUTIN

Um covarde é incapaz de demonstrar amor; isso é privilégio dos corajosos.
GHANDI

As mais lindas frases de amor são ditas no silêncio de um olhar.
ANÔNIMO

15 Junho 2007

Ploc

Volta e meia, ainda me oferecem um chiclete, eu invariavelmente recuso. Há tempos perdi o gosto pela guloseima. Busco em mim uma desculpa elegante, como o refinamento do paladar, para o envelhecimento do meu gosto.
Um valda, um clorets, ou algum com sabor pedante como alcaçuz ainda é um mimo, mas um ploc é quase uma ofensa.
No colégio, o ploc era o destino de todas as moedas que brevemente tilintavam no meu bolso. O meu gosto, hoje ranzinza, ainda se lembra bem da sensação. Muito duro no início, especialmente no inverno, necessitava de força mesmo para transformar aquele tijolinho em borracha macia. Doce... Muito doce.... Cada vez menos doce... Nada doce. Por fim só um eficiente afrouxador de obturações. Quanto maior era a quantidade de moedas transformadas em ploc que tinha no bolso, menos tempo eles levavam para ir para baixo da mesa de fórmica verde água, onde eu desenhava enquanto a professora teimava em ensinar.
Xii! Não é só o meu gosto que está envelhecendo. Saudosismo também é sintoma de velhice. Hermetismo no que foi bom. Incapacidade de continuar procurando o bom no novo.
Dá licença. Vou correndo lá no boteco ver se ainda vendem ploc. Quem sabe ainda tenho tempo de achar “da hora” os que deixam a boca azul.

14 Junho 2007

YA PECO YO POR TI

www.guebones.com

13 Junho 2007

Quota anti-branco riquinho

Há algum tempo esse papo de cotas para negros nas universidades me está entalado na garganta. Perguntinha simples para quem defende essa filantropia racista: Porque o negro favelado que não teve acesso a boas escolas é mais coitadinho que o branco que mora no barraco ao lado? Porque um descende de colonizadores e outro de escravos? Andar olhando para trás, além de uma ótima forma de levar tombo, é uma das causas do racismo.
Não me eximo da responsabilidade branca que herdei, mas comiseração racial é tão ou mais danosa que discriminação, não tenho pena de um negro pela sua cor ou origem. Penalizo-me sim pela condição social desfavorável de qualquer semelhante.
Salvo através de impostos, são sempre lastimáveis as idéias de prejudicar deliberadamente uma parcela da população, para tentar gerar uma igualdade social artificial. Até onde vai minha ignorância, parece-me que o objetivo deveria ser equiparar o acesso, de riquinhos de qualquer raça que freqüentaram boas escolas particulares e tiveram “paitrocínio” para os melhores cursinhos e a gigantesca massa de estudantes noturnos, que têm que trabalhar durante o dia para comer, e se submeter à quase que geral inconsistência do ensino público.
Se o estado tem que criar mecanismos para proteger as vítimas de sua própria incompetência, pelo menos que aja com inteligência. Se o objetivo é “diminuir” os filhinhos de papai nas universidades e “aumentar” os capengas que escolas públicas formam, não seria mais efetivo tornar as universidades públicas menos atraentes para os abonadinhos e mais para os necessitados?
Num país em que o serviço público em geral é tão desqualificado, carente de recursos humanos e caro aos cofres estatais, e que a grande massa de recém graduados perambulam por aí, desesperados por um trabalho que lhes dê a tão exigida experiência, não seria muito mais fácil criar um serviço público obrigatório para recém formados?
O que há de errado em o estado “cobrar” em trabalho o estudo que proporcionou gratuitamente a um cidadão?
Basta determinar a quantidade de anos de serviço público, minimamente remunerado, que os profissionais deveriam “pagar”, que fossem suficientes para correr dos bancos universitários públicos os que estão ali para trabalhar no consultório, banca ou empresa do papai. Além de proporcionar aos quem não têm a asa paterna para correr para baixo, a famigerada “experiência” profissional.
O filho do grande médico, vai passar 3 anos no meio do nada amazônico, morando num alojamento? O filho do famoso advogado vai “perder” anos numa defensoria pública? A filha do dono do supermercado vai “mofar” administrando um armazém da CONAB?
Intervenção estatal e burrice não precisam ser sinônimos.

12 Junho 2007

Inye tye mela (Quenya)

Eu te amo - Português
I love you – Inglês
Te quiero – Espanhol
Je t’aime – Francês
Ich liebe dich – Alemão
Wo le ni – Chinês
Ha eh bak – Turco
Ya vas liubliu – Russo
Lubim ta – Eslovaco
Ya te volim – Croata
Tora dost daram – Persa
Sakan te volim – Macedônio
Gramo te bue – Lituano
Ngiyakuthanda – Zulu

Dia dos Namorados

Se todos os seus dias não são do seu namorado, não exagere hoje. Mostrar o quanto os outros dias não são do seu namorado é dar um tiro no pé.

11 Junho 2007

1º texto da Andresa

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.


1º contato da minha sobrinha Andresa com o teclado aos 194 dias de vida. Quem sabe, tirando o ataque de corujisse aguda, isso não será um registro importante. As possibilidades de uma vida que se inicia é algo fantástico.

08 Junho 2007

Viado, eu?

Entro no boteco, faço um sinal, o homem atrás do balcão já sabe o que quero. O cheiro típico de botequim vagabundo, uma mistura de fritura com cachaça, me faz olhar para a janela que liga a parte de mercearia, onde estou, com a sala ao lado, onde a velha mesa de sinuca, com seu feltro já bem pouco verde, é rodeada por um bando de homens que bebem, fumam e conversam animadamente.
Não preciso da ajuda dos surdos-mudos do fantástico, para ler nos lábios de um deles que me olha: “isso é viado”.
Ao contrário do que ele pensa isso não me ofende. Moro em uma cidade minúscula, sou o único advogado com cabelos no meio das costas, só uso gravata para fazer raras audiências, corto o cabelo no salão da Bia, minha amiga travesti, tenho piercing nas orelhas e alianças em ambas as mãos. Saio tão raramente de casa que até já me acostumei a perguntarem se não sou daqui. Ser “diferente” não é mais novidade.
Mas, enquanto volto para casa, não resisto em me vingar do cidadão com o copo de cerveja que achou por bem tentar me espezinhar para os parceiros. Parecia um tipo bem comum. Bebia com um bando de homens num sábado à tarde, enquanto certamente a mulher estava em casa cuidando dos filhos. Daqueles que também se reúne em bandos masculinos em frente a uma televisão para ver 22 homens correndo. Trabalha em algo como um engenho de arroz, cercado por outros homens com quem convive e conversa durante toda a semana. Quando vai a festas, fica numa rodinha só de homens bebendo cerveja e falando sobre a última contratação do internacional, ou sobre o desempenho do grêmio num campeonato qualquer. Deve ter vários melhores amigos, todos homens claro. Quando fala de mulher é só para enaltecer as qualidades físicas daquelas que ele nunca vai “comer”.
Deu vontade de voltar lá no boteco e mandar na cara: “seu homosocial”.

07 Junho 2007

Montanhas

.
Homens sobem montanhas para ficar mais perto de Si mesmos.
.

Serra do Mar, SC – Paulo Sérgio e eu depois de 2 dias subindo.

05 Junho 2007

O Brilho do Teatro

Pensando no Alberto, em como admiro o que ele escreve, e em como nossos mundos são distintos e distantes, lembrei de como poderíamos ter tido mais coisas em comum se o destino me tivesse permitido ir adiante com algo que tanto me empolgava. Sim, eu já fui um inexperiente, pouco talentoso, mas entusiasmado estudante de teatro. Parece que foi em outra vida. É lá pelos meus 13 ou 14 anos que busco esta saudosa e divertida passagem de colégio.
Não lembro a data, sou péssimo nisso. Estudava no colégio de Aplicação da UFGRS em Porto Alegre, lá tive minha primeira e única oportunidade de estudar teatro. Bem bobo, como tudo começa, mas para mim em grande e inesquecível estilo.
Depois de um semestre de exercícios simples, quando voltamos das férias de julho, a profa diz as palavras mágicas: “agora é com vocês, tudo com vocês, se virem. Cada grupo montará uma peça completa, vocês têm 30 dias e valerá a nota do bimestre”.
É claro que do alto da minha prepotência adolescente, resolvi escrever o texto. Um policial a bordo de um transatlântico. Com o básico: assassinato no início, todo o elenco suspeito até o inesperado desfecho. Não lembro de quase nada, mas o assassino era o comandante, justamente o cara encarregado das investigações, óbvio. Só que a falsa vítima era sua cúmplice e amante.
Como estava achando muito pouco só escrever, resolvi dirigir, montar o cenário, iluminar e ser contra-regra. Enfim, só não deu para atuar, porque como toda a grande produção, tinha muitos personagens e só sobrei eu para fazer tudo. Consegui com a direção uma sala pra montar o cenário. Tinha que me virar com o que havia no colégio, no caso um baú de roupas velhas com cheiro de perfume e suor de todos que já as tinham usado, mesas e cadeiras de aula. Sem problemas. Queria mais de um cenário, então resolvi “construir” três. Empilhei as mesas formando 4 fileiras que iam desde o meio até o fundo da sala, formando dois “cômodos” grandes em cada lado e um estreito entre os dois. Um seria o restaurante, o outro o camarote do capitão e o estreitinho o corredor. Interligados para permitir a movimentação.
Tudo tinha de ser absolutamente preciso, pois a ação era contínua e fazia parte da trama o que a platéia via ou só escutava. Então com cordinhas de varal de roupa eu fiz um complicado sistema de cortinas com lençóis, que abriam cada cenário individualmente e às vezes em conjunto para acompanhar o movimento de algum personagem ou esconder uma cena que só se ouvia.
A iluminação foi calculada pela abertura das persianas da sala. Contando que teríamos a sorte de um dia de sol, comum no frio inverno da capital gaúcha. Tinham cenas de dia e outras a noite, e um abajur era um luxo que eu nem sonhava em pedir a minha mãe.
Todos os outros do grupo eram os atores, aprendi logo que atores, em geral, não são bons para se virar com grana. Lá fui eu para uma papelaria pedir um “patrocínio” de rolos de papel pardo, para forrar as paredes de mesas, porque se vissem os atores se movimentando entre os cenários, iriam ver logo que o braço que invadia o cenário do restaurante e dava a facada nas costas da loira era do comandante.
Quase matei meus colegas ensaiando, sempre dava alguma coisa errada. Ou uma cortina trancava ou na correria para “acertar” a luz na persiana eu esbarrava nas mesas, e lá se ia uma parede inteira para o chão, quase matando de verdade a loira. Enquanto corria, gritava com os atores, e ninguém entendia para que “lado” eu estava mandando o personagem se virar ou olhar.
Enfim, chegou o dia, mas eu poderia estar lá ensaiando até hoje, 25 anos depois. Mas o prazo tinha acabado e as duas turmas estavam amontoadas diante daqueles lençóis fechados, olhando desconfiados aquilo tudo. Eles tinham certeza que aquela traquitana toda ia cair, e acho que eu também. Gritei o nome da peça lá do fundo, não lembro qual era, e abri a primeira cortina, começou a correria...
Entre uma cena e outra, eu tinha alguns segundos livres. Abri um pequeno rasgo na “parede” do fundo, na esperança de ver a platéia, só via minha professora sentada ao centro e vários colegas atrás, alguns em pé contra a parede.
Nas rápidas olhadelas só enxergava os olhos da professora. Apreensivos na primeira cortina, mais preocupados com o mecanismo arcaico dos lençóis e a instabilidade das paredes. Interessados na estória, quando fui entardecer a persiana, tão interessados que nem se moveram da cena para o ranger do sol se pondo. Torcendo para tudo dar certo, quando a cortina do corredor quase não abre. Entusiasmados quando a loira cai e o ketchup escorre pastoso demais da boca. Curiosos, com os passos no corredor, e a cortina não abre, dessa vez de propósito. Próximo ao final, quando parecia que tudo milagrosamente ia dar certo, sorrindo bobamente, quando a cena não induzia nenhum sorriso. Até a última cortina ser fechada, e as persianas totalmente abertas ofuscarem aqueles olhos com um brilho castanho marejado.
Pela gretinha no papel aprendi aquele dia, que muito mais importante que a nota máxima no bimestre, ou os aplausos, ou ainda os parabéns dos colegas, o que realmente importa é o brilho nos olhos quando as luzes se acendem.

04 Junho 2007

Terça Insana - Irmã Selma

Octávio Mendes

03 Junho 2007

"O Segredo" de 11 de setembro

Chegou a pouco no país “o segredo”, primeiro em dvd´s que passavam de mão em mão, posteriormente em e-mails com os famigerados arquivos pps, agora já existem até “cursos” que ensinam o tal segredo, logo pipocarão seitas e igrejas.
Um desses e-mails acabou por cair em minha caixa, diante de tamanho estrondo, obviamente, o li. A apresentação é realmente muito bem feita, e até interessante. Como tudo que parte do já rançoso pragmatismo norte-americano, é popularescamente palatável e dá uma roupagem “moderna” e “científica” ao pré-histórico mecanismo de funcionamento da fé, misturando física quântica com o “poder do pensamento positivo”. Bem ao gosto dos diretos e rasos protestantes lá de cima, que perderam toda a graça quando esqueceram a poesia religiosa dos celtas.
Mas, eu não estou aqui para discutir preceitos filosóficos e religiosos, isso deveria ser como bunda: todo mundo tem a sua, a mantém o mais protegida possível, só mostra em momentos especiais, usa em absoluta intimidade e olha atravessado para quem anda por aí expondo a sua.
O fato é que: “o segredo” apresenta a “lei da atração” como lei física, comparando-a a lei da gravidade, e não está errado. A fé funciona, se conhecido o seu mecanismo. Os pagãos já sabiam disso antes dos Hieros Gamos. Os norte-americanos deveriam também usar seu pragmatismo raso e óbvio para entender outra lei física, a da ação e reação.